Foi aprovado na sessão desta tarde, 22 de abril, da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o projeto Centro de Dados da Igreja Católica no Brasil, que reúne um portal de dados da Igreja do Brasil e um sistema de dados para as chancelarias das dioceses.
A plataforma é um repositório de dados coletados e validados juntos às dioceses que reunirá todos os dados referentes à Igreja, como informações sobre bispos, dioceses, padres, diáconos, regionais e históricos. Junto com a plataforma de dados, estará disponível um portal para consulta dos dados públicos por toda sociedade.
O projeto já foi apresentado e validados pelo Conselho Permanente da CNBB e aplicado em 20 dioceses piloto do Brasil, com realidades e níveis de organização diferentes. Segundo dom Ricardo, as principais características é que a gestão dos dados será feito integralmente pela CNBB em uma base única e segura que hoje depende de terceiros.
Sessão Solene pelo bicentenário das relações Brasil Santa Sé
Nesta tarde, os bispos também tiveram uma Sessão Solene de Comemoração do Bicentenário de Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A sessão teve a participação do Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, representante diplomático da Santa Sé no país; do arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, dom Jaime Spengler; e do arcebispo de Brasília e presidente da Comissão Especial para o Acordo Brasil-Santa Sé, dom Paulo Cezar Costa.
Em sua fala, o núncio destacou que o bicentenário das relações entre Brasil e Santa Sé remetem a uma trajetória singular e profunda, com benefícios para os dois Estados. “Tanto em termos morais quanto nos mais complexos, essa relação reconheceu-se como um elemento de grande relevância para ambas as partes. E isso não apenas no plano, diplomático, mas também sob o ponto de vista humano, cultural, moral e eclesial”, falou o núncio.
Segundo o núncio, o Brasil representa para a Igreja uma realidade humana e espiritual ampla e densa, ao mesmo tempo que a Igreja representou e continua representando para o Brasil uma “força decisiva da inclusão moral, da elevação espiritual, da promoção da dignidade humana e do amadurecimento”, falou dom Giambattista. “Ao olhar para esse caminho secular, somos convidados a ver o passado com gratidão, o presente com responsabilidade e o futuro com confiança e angústia”, concluiu o núncio.
Dom Jaime falou aos bispos que, ao celebrarem o bicentenário das relações diplomáticas entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, eles são convidados a discernir com responsabilidade os passos que virão pela frente, entre eles a recepção e implementação do acordo nas Igrejas particulares.

O acordo é uma conquista importante que, segundo dom Jaime, traz benefícios não só para a Igreja, mas para toda sociedade. “Quando a assistência religiosa é assegurada em hospitais, presídios e quartéis, protege-se o direito fundamental da pessoa humana. Quando o patrimônio cultural da Igreja é preservado, resguarda-se uma parte essencial da memória nacional. Quando as instituições católicas de ensino atuam com liberdade e responsabilidade, toda a sociedade se beneficia de sua contribuição educativa. E quando a Igreja pode desenvolver suas obras sociais, pastorais e assistenciais com estabilidade jurídica, amplia-se sua capacidade de servir aos mais pobres e vulneráveis”, finalizou o presidente da CNBB.
Liberdade religiosa
Dom Paulo ainda destacou que o acordo Brasil Santa Sé salvaguarda a liberdade religiosa, tão cara à Igreja Católica e, consequentemente, o pleno reconhecimento da liberdade religiosa. “O acordo consagra a verdadeira laicidade do Estado, onde a diversidade religiosa presente no povo é respeitada.”
Citando o texto do acordo que os bispos receberam durante a sessão, dom Paulo explicou que através dele, o Estado brasileiro se mostra parceiro da Igreja Católica. “A sociedade brasileira seguramente seria mais pobre sem a presença e atuação da Igreja”, finalizou dom Paulo.

Mensagem ao povo brasileiro
Nesta tarde os bispos também aprovaram a mensagem que será enviada a todo o povo brasileiro.
Por Juliana Mastelini - Comunicação 62ª AG CNBB.
