Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria (RS)
Em tempos marcados por crescentes tensões e discursos inflamados, a defesa da paz continua sendo um gesto de coragem — e, muitas vezes, de incompreensão. Ao longo da história, vozes firmes se levantaram para afirmar o que tantos insistem em ignorar: a guerra nunca é uma solução duradoura, mas sempre um sinal de fracasso coletivo. Como advertiu o Papa Pio XII, “nada se perde com a paz; tudo pode ser perdido com a guerra”.
Quando líderes espirituais reafirmam esse princípio, não o fazem por ingenuidade, mas por fidelidade a uma visão mais ampla da dignidade humana. É natural que tais posicionamentos provoquem reações, especialmente em um cenário onde a força e o confronto ainda são vistos como instrumentos legítimos de afirmação política. Ainda assim, a clareza permanece: como recorda o Papa Francisco, “toda guerra é uma derrota da humanidade”.
A recente reafirmação de Leão XIV não representa novidade, mas continuidade. Ao insistir que “a Igreja não pode jamais considerar a guerra como caminho legítimo para a paz”, retoma-se um ensinamento constante, ainda que incômodo para alguns. A história demonstra que aqueles que proclamam a paz, mesmo sob críticas e ataques, frequentemente antecipam verdades que o tempo se encarrega de confirmar.
A insistência na paz não é ausência de realismo; é, antes, uma recusa em aceitar a violência como destino inevitável. Trata-se de um compromisso com a razão, com a justiça e com a preservação daquilo que ainda nos une enquanto humanidade. Em meio a ruídos e polarizações, essa postura pode parecer deslocada, mas é precisamente ela que impede o colapso completo do diálogo.
Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja vencer conflitos, mas desaprender a desejá-los. E aqueles que ousam dizer isso, ainda que incompreendidos, mantêm viva a possibilidade de um futuro menos marcado pela destruição e mais orientado pela responsabilidade compartilhada.
