Bispos do Brasil, na 62ª AG CNBB, recebem nova versão do Instrumentum Laboris das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora

O sexto dia da 62ª Assembleia Geral (62ª AG) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) foi marcado por decisões importantes. O episcopado brasileiro reunido no Santuário Nacional de Aparecida, abordou temáticas voltadas à sinodalidade, liturgia, além da mensagem ao Papa Leão XIV. Tempo considerável foi dedicado à apresentação e leitura da nova edição do Instrumentum Laboris das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora, tema central do encontro.

A primeira pauta da manhã desta segunda-feira, 20 de abril, o processo de implementação das definições do Sínodo dos Bispos 2021-2024. A segunda sessão da manhã foi dedicada à votação de propostas da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (Cetel) para a Igreja no Brasil.

Na pauta, aprovação dos formulários litúrgicos da memória de Santa Teresa de Calcutá, da Missa pelo Cuidado da Criação e das Missas da Bem-Aventurada Virgem Maria nos tempos do Advento e do Natal.

Ainda sobre os textos litúrgicos, foi definido por seguir a orientação da Santa Sé para tornar memória facultativa a celebração dos Beatos Inácio de Azevedo e Companheiros Mártires. O episcopado também aprovou a transferência da Memória de São Carlo Acutis para 13 de outubro, a fim de não se confundir com a solenidade de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Esta mudança, agora, será submetida ao Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Mensagem ao Papa Leão XIV renova o afeto filial

Na sessão da tarde, após a oração da Hora Média, foi aprovada por unanimidade a mensagem do episcopado brasileiro ao Papa Leão XIV. Apresentado pelo cardeal arcebispo de São Paulo (SP), dom Odilo Pedro Scherer, o texto eleva louvores a Deus pela eleição do Pontífice, em maio de 2025, manifesta comunhão e afeto filial ao ministério do Sucessor de Pedro e o apoiam no anúncio do Evangelho da Paz.

O episcopado agradeceu a mensagem enviada por Leão XIV e a Bênção Apostólica concedida por ocasião do início da 62ª AG. Os bispos explicam, na carta, que a Assembleia “é oportunidade para encontros fraternos de oração e partilha entre os bispos que, em muitos casos, exercem sua missão em condições difíceis e separados por grandes distâncias”.

Aprovado com 297 votos favoráveis, o texto aponta que a CNBB acompanhe, com preocupação as muitas situações de violência e de guerra no mundo e se unem ao seu clamor vigoroso por uma paz desarmada e desarmante. “Manifestamos à Vossa Santidade, nossa proximidade diante dos ataques sofridos por anunciar com firmeza o Evangelho da Paz”.

A carta é concluída ressaltando que o Papa é sinal visível da unidade da Igreja. “Renovamos os sentimentos de união ao sucessor de Pedro, sinal visível da unidade e princípio de comunhão de toda a Igreja e manifestamos o assentimento fiel ao Magistério de Vossa Santidade, assegurando-lhe nossas orações”.

Nova redação do documento das Diretrizes

O segundo ponto da pauta da sessão da tarde foi a apresentação da nova redação do Instrumentum Laboris das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O coordenador da comissão, dom Leomar Antônio Brustolin, explanou as alterações que o grupo de trabalho fez no material a partir das emendas e proposições nascidas do exercício da leitura e análise feita pelos bispos divididos nos 19 regionais.

 Dom Leomar revelou que a comissão recebeu 937 contribuições que buscaram aprimorar o texto. A explanação seguiu capítulo por capítulo do documento e contemplou diversas propostas que buscaram deixá-lo com uma linguagem mais simbólica, mistagógica e pastoral.

Segundo dom Leomar, o grupo de trabalho esteve reunido ao longo de diversos turnos no sábado e no domingo, dias 18 e 19 de abril, para ler cada sugestão e avaliar as possíveis alterações no documento. O coordenador da comissão lembrou, mais uma vez, que as novas DGAE estão completamente alinhadas à implementação das propostas do processo sinodal da Igreja.

Dom Leomar agradeceu cada uma das emendas, sugestões e propostas. Segundo ele, este fato mostra o interesse dos bispos do Brasil na caminhada evangelizadora do povo de Deus. “O texto amadureceu e procurou-se ter um texto que inspira, converte e coloca a Igreja no Brasil em caminho sinodal e missionário. E nós estamos dispostos aqui para cumprir o que ainda nos falta para concluir o processo que iniciamos há quatro anos”, concluiu.

O Instrumentum Laboris foi disponibilizado ao episcopado para nova leitura apurada do texto. O debate de possíveis novos ajustes e a votação das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil estão programados para a manhã desta terça-feira, 21 de abril.

Por Felipe Padilha - Comunicação 62ª AG CNBB

 

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