A reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teve continuidade nesta quarta-feira, 4 de março, após as comemorações do bicentenário das relações diplomáticas Brasil-Santa Sé, com uma pauta que contemplou temas administrativos, pastorais e institucionais da Igreja no Brasil.
Balanço da visita aos Dicastérios e ao Papa
No início da sessão, a Presidência da CNBB apresentou um balanço da visita realizada a Roma entre os dias 19 e 29 de janeiro, quando os bispos estiveram nos Dicastérios da Cúria Romana e se encontraram com o Papa Leão XIV. Durante a agenda, também foram celebrados, na capital italiana, os 200 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé.
Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB, destacou que a tradicional visita aos Dicastérios e ao Santo Padre é sempre uma oportunidade de partilha sobre o trabalho desenvolvido pela CNBB, bem como de escuta das preocupações da Cúria Romana. Segundo ele, o encontro ocorreu em espírito fraterno e acolhedor, com grande interesse pelo que a Conferência realiza no Brasil. O arcebispo ressaltou ainda o reconhecimento ao trabalho desenvolvido ao longo dos anos e a responsabilidade que isso representa para a Igreja no país.

Sobre a audiência com o Papa Leão XIV, dom Jaime relatou que o Pontífice fez sugestões à CNBB e manifestou preocupação com o acompanhamento humano, espiritual e canônico dos bispos eméritos. Na ocasião, dom João Justino, primeiro-vicente presidente da CNBB, apresentou o convite oficial para que o Santo Padre participe do Congresso Eucarístico Nacional, previsto para o próximo ano, em Goiânia. A Presidência da CNBB também solicitou uma mensagem para a Campanha da Fraternidade – já recebida e apresentada durante o lançamento, em fevereiro, em Brasília – e um vídeo para a abertura da próxima Assembleia Geral da CNBB, que será realizada em abril.
Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil
Os bispos receberam a versão final do texto das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), entregue no mês de fevereiro. Em sua fala, dom Leomar Brustolin, presidente da Comissão das Diretrizes, destacou que nenhum outro documento da Conferência passou por um processo tão amplo de escuta. Segundo ele, trata-se de um texto de caráter metodológico, que, embora tenha ficado mais extenso, reflete a riqueza das contribuições recebidas.

O objetivo geral das Diretrizes, ainda as ser aprovado, é “evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal sustentada pela Palavra e pelos sacramentos, formando comunidades de discípulos missionários”. Dom Leomar ressaltou que o documento é fruto de um amplo processo sinodal da Igreja no Brasil.
O instrumento de trabalho foi também disponibilizado às dioceses e às diversas expressões do Povo de Deus. O texto, segundo dom Leomar, está estruturado em seis capítulos:
“O primeiro aborda a “tenda” como imagem da comunidade e do encontro. O segundo trata da escuta dos sinais dos tempos. O terceiro desenvolve o tema do discernimento e da conversão pastoral, a partir dos eixos da comunhão, participação e missão. O quarto capítulo reflete sobre o Povo de Deus em missão, com atenção especial ao laicato. O quinto apresenta os caminhos da missão, enquanto o sexto e último capítulo destaca os compromissos sinodais, com ênfase na conversão das relações, dos processos e dos vínculos. O documento é concluído com a reafirmação da esperança cristã no Reino de Deus”.
Na sequência, os bispos refletiram sobre a metodologia para aprovação do texto das Diretrizes na próxima Assembleia Geral, em abril, e sobre a forma de avaliação do texto. O Conselho Permanente também analisou o processo conduzido até aqui pela equipe responsável pela elaboração das DGAE.
Dom Valdir José de Castro, presidente da Comissão para a Comunicação da CNBB, questionou como será organizada a partilha entre os regionais maiores durante a Assembleia. Dom Hernaldo Farias, presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB, sugeriu a elaboração de um pequeno roteiro que auxilie o trabalho em grupo. Já dom Leomar ressaltou a importância de garantir espaço para manifestações individuais dos bispos, a chamada “fila do povo”, como forma de assegurar ampla participação.
Campanhas
O padre Jean Poul, secretário executivo de Campanhas da CNBB, relatou que a Campanha da Fraternidade 2026 tem gerado bons frutos em todo o país. Ele recordou os lançamentos realizados em Brasília (DF) e em Aparecida (SP), além das iniciativas promovidas nos regionais, formações nas dioceses e sessões especiais em Assembleias Legislativas.
Sobre a Campanha da Fraternidade 2027, informou que o grupo de redação do texto-base está em pleno trabalho e que, em breve, deverá ser apresentada uma primeira proposta para apreciação. Também foi mencionado o edital para a escolha do hino da CF 2027, já publicado, que atualmente conta com 185 inscritos. Padre Jean Poul recordou ainda que, no último Conselho Episcopal Pastoral (Consep), os bispos escolheram o tema da Campanha da Fraternidade 2028.
Em relação à Campanha para a Evangelização, destacou-se sua ligação com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, ressaltando que o tema de 2026 já vem sendo pensado como início do processo de recepção das Diretrizes nas dioceses.
Por fim, foram apontadas dificuldades relacionadas à produção dos envelopes da Campanha, em razão do alto volume e dos custos elevados, além do impacto ecológico das impressões. Como encaminhamento, os membros do Conselho sugeriram que os envelopes sejam produzidos sem distinção de ano, possibilitando seu reaproveitamento nos anos seguintes. Também ponderaram sobre a necessidade de viabilizar as contribuições por meio de Pix.
Informes
Ao final da sessão da manhã foram feitos informes do economato (com balanços e receitas) e tomadas decisões sobre quando ocorrerá a coleta do 19º Congresso Eucarístico, previsto para acontecer de 3 a 7 setembro de 2027, e por último aprovado o regimento interno da Edições CNBB.
Por Larissa Carvalho | Fotos: Paulo Augusto e Fiama Tonhá, Ascom CNBB


