O acontecimento de Guadalupe traz uma mensagem que revela o amor de Deus pela humanidade. Esse foi o resumo da partilha feita pelo arcebispo de Santa Maria (RS), dom Leomar Antonio Brustolin, durante a reunião do Conselho Permanente, na última semana. Ele representou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Congresso Teológico Pastoral sobre o Acontecimento Guadalupano, realizado na Cidade do México, entre os dias 24 e 26 de fevereiro.
Com o tema “Nossa Senhora de Guadalupe: o acontecimento e seus ensinamentos para os processos de evangelização”, o congresso reuniu bispos, sacerdotes, teólogos, religiosos e leigos de diversos países das Américas e de outras regiões, com o objetivo de aprofundar a reflexão teológica e pastoral sobre a aparição de Nossa Senhora no monte Tepeyac e suas implicações para a evangelização no mundo contemporâneo.
O evento foi promovido pela Pontifícia Comissão para a América Latina, pela Pontifícia Academia Mariana Internacional, pela Conferência do Episcopado Mexicano e pelos Cavaleiros de Colombo, com a proposta de fortalecer os processos pastorais no continente americano, além de preparar as Igrejas para o caminho jubilar rumo a 2031, quando será celebrado o Jubileu Guadalupano.
Do Brasil, além de dom Leomar, que representou a CNBB, também participaram o arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa, que é membro da Pontifícia Comissão para a América Latina; o padre Alexandre Awi Mello, do Institutos dos Padres de Schoenstatt e conselheiro da Comissão para a América Latina; além de representantes da Comunidade Canção Nova e do Santuário Nacional de Aparecida.
Em entrevista ao portal da CNBB, dom Leomar destacou do evento a reflexão sobre Maria a partir do capítulo 8 da Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, recuperando a relação entre a história da vida de Maria e o significado dela para fé.
“Importante também foi perceber que a mensagem de Guadalupe tem uma dimensão universal. É um acontecimento localizado no século XVI, no México, na cultura Nahua. A imagem não é só uma imagem, é um código indígena. Tudo aquilo foi um código escrito para comunicar, para revelar Jesus Cristo. O acontecimento de Guadalupe traz uma mensagem que revela o amor de Deus pela humanidade, pelos mais pobres, pelos mais sofridos e por todos. Deus não faz acepção de pessoas, nem de etnias, nem de grupos. Todos recebem a mesma mensagem em graus diferentes”, disse dom Leomar.
Segundo o bispo, o congresso não gerou atividades a serem criadas para as conferências episcopais, mas ajudou a refletir sobre a mariologia, de forma que a devoção a Nossa Senhora seja evangelizadora e ressalte a piedade popular com o propósito de transmitir a fé, buscar a coerência entre fé e vida, a partir da experiência pastoral que há em cada país.

Dom Leomar também partilhou sobre sua participação em artigo publicado no portal da Conferência. Para ele, o evento reafirmou que o acontecimento guadalupano é um verdadeiro Evangelho para o nosso tempo: “um anúncio de que a beleza pode evangelizar, de que fé e razão não se opõem, de que o mistério permanece aberto e de que o amor se inclina sobre os pobres”.
Acontecimento teológico vivo
No artigo publicado no portal da CNBB, dom Leomar afirmou que “Guadalupe não é apenas uma devoção mexicana nem um fato do passado. É um acontecimento teológico vivo”.
“Guadalupe continua interpelando crentes e não crentes, artistas e cientistas, pois toca aquilo que é universal na condição humana: o sofrimento, a busca de sentido, o desejo de consolo e o fascínio diante do mistério”.
Assim, a preparação para o Jubileu dos 500 anos do acontecimento guadalupano é uma renovação do anúncio de que “Deus continua falando com ternura, e a misericórdia é mais forte que toda violência”.
Luiz Lopes Jr
Leia também:
Guadalupe rumo aos 500 anos
Mensagem do Santo Padre aos participantes do Congresso Teológico Pastoral sobre o milagre de Guadalupe (espanhol)
