Nunciatura Apostólica e CNBB realizam recepção diplomática para celebrar o bicentenário das relações Brasil-Santa Sé

A Nunciatura Apostólica no Brasil organizou em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na terça-feira, às 19h, uma recepção diplomática que reuniu autoridades eclesiais, politicas, governamentais e representantes das embaixadas que atuam no país em torno da comemoração do bicentenário das relações entre o Brasil e a Santa Sé. Participaram também os bispos membros do Conselho Permanente da CNBB, padres, religiosos e religiosas e leigos.

No início da cerimônia, foram executados os hinos do Brasil e da Santa Sé. O momento recordou não apenas a presença diplomática da Santa Sé no Brasil, mas também a história de diálogo, respeito mútuo e colaboração em favor do bem comum entre o Brasil e a Santa Sé.

Em sua apresentação do evento, o mestre de cerimônia e assessor de Comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues, destacou que nos primeiros anos de sua Independência, o Brasil empenhou-se em consolidar sua posição entre as nações e que a Santa Sé esteve entre os primeiros Estados a reconhecer oficialmente o Brasil como nação soberana.

“Em 23 de janeiro de 1826, o Papa Leão XII recebeu as credenciais do representante do Império Brasileiro, monsenhor Francisco Correia Vidigal, inaugurando formalmente as relações diplomáticas entre os dois Estados. Aquele gesto marcou o início de uma trajetória que ultrapassa quase dois séculos”, disse.

Bênção Apostólica

Durante a cerimônia, foram convidados a fazer o uso da palavra o enviado especial da Santa Sé, dom Lorenzo Baldisseri, o arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler e o secretário de Europa e América do Norte do ministério das Relações Exteriores do Brasil, Roberto Abdala.

O cardeal Baldisseri recordou a sua passagem pelo Brasil em 2024, no evento organizado pela CNBB que marcou os 15 anos do Acordo Brasil-Santa Sé. Disse que, apesar de seu desejo,  não achava que voltaria ao Brasil tão cedo, mas que foi designado pelo Papa Leão XIV como enviado especial para trazer às comemorações do bicentenário a benção apostólica.

“Voltar ao Brasil é como voltar para a casa”, disse recordando os doze anos, de 2002 a 2012, em que foi Núncio Apostólico no Brasil, tempo no qual ajudou a consolidar o Acordo Brasil-Santa Sé. Ele comparou o Acordo, promulgado em 11 de fevereiro de 2010, através do Decreto nº 7.107, como uma composição  musical de tom maior, um documento no qual a Igreja e o Estado brasileiro encontraram um terreno comum e um modo de servir ao povo brasileiro.

Diplomacia e amizade

O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, enalteceu a importância da amizade e da diplomacia como caminhos para construir novas relações entre os países. “Depois de Deus, um dos maiores dons são os amigos e as amigas. Que Deus nos conceda o dom de cultivar a amizade e a diplomacia”, disse.

O secretário de Europa e América do Norte do ministério das Relações Exteriores do Brasil, Roberto Abdala, reforçou que a paz duradoura precisa ser construída com base na dignidade humana e em torno de uma ordem mundial justa e igualitária. “É preciso construir um mundo onde a ética e a fraternidade predominem sobre a força”, reforçou.

Ele destacou o papel do Papa Leão XIV na promoção da paz, do multilateralismo e a atenção aos pobres. “Estes valores aproximam o esforço da Santa Sé dos valores que são importantes ao governo brasileiro e os princípios que orientam a diplomacia do país”, disse.

Veja, abaixo, as fotos da recepção:

Recepção Brasil Santa Sé - Fiama Tonhá (CNBB)

 

Por Willian Bonfim com fotos de Fiama Tonhá - ASCOM CNBB

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