Dom Rodolfo Luís Weber
Arcebispo de Passo Fundo (RS)
A partir da fé em Jesus Cristo ressuscitado forma-se a Igreja. Conforme a parábola do Bom Pastor, a Igreja é constituída pelas ovelhas que entram pela porta, que é Cristo. O Cristo também entra pela porta da frente que cada a ovelha abriu. Por isso, Ele se torna o pastor que chama, fala, orienta, conduz e salva. Quer levar cada ovelha e todo rebanho “para que tenham vida e a tenham em abundância”. Ou nas palavras de São Pedro: “Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas. (Atos 2,14.36-41, Salmo 22(23), 1 Pedro 2, 20-25, João 10,1-10).
O Salmo 22/23 de forma simples apresenta a imagem de Deus Pastor. Este salmo é inspiração para várias expressões artísticas como a poesia, a música, a pintura. Dois símbolos merecem destaque: o pastor e a mesa. O salmista canta como experimenta em sua vida o pastoreio de Deus: “O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa algum. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças. Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso; nenhum mal eu temerei; estais comigo com bastão e cajado, eles me dão a segurança”. Entre a partida e a meta, a viagem da vida é marcada por perigos. A presença e a condução do Pastor garantem o rumo e a segurança. Como sinal da meta alcançada, o salmista afirma que foram preparadas uma mesa farta, um cálice transbordante e a cabeça foi ungida.
A parábola do Bom Pastor destaca a relação pessoal e a intimidade entre o pastor e a ovelha. Em primeiro lugar, é apresentado o contraste entre Jesus Bom Pastor e os mercenários. O interesse dos mercenários pelo rebanho é satisfazer a si mesmos. Não se sacrificam pelo rebanho, não cuidam dele, mas sacrificam o rebanho para satisfazer os interesses egoístas.
O Bom Pastor age de outra forma, como explica com precisão o Cardeal Ravasi. “A ação do pastor é descrita com detalhes: ele “entra pela porta” porque sua relação com o rebanho é de intimidade; a vocação (chama) é pessoal (uma a uma) e específica (pelo nome) a ovelha corresponde com a escuta feita de adesão e de fé (conhecem a sua voz); o pastor conduz o rebanho a um êxodo em direção aos pastos (faz sair) e o guia e acompanha, constituindo assim a comunidade pascal dos salvos e dos discípulos que “seguem-no” Cristo pastor”.
“Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem”. Junto com a imagem do Pastor, Jesus se auto define como “a porta”. No percurso da vida abrem-se tantas portas e em todas elas é feito o convite para entrar. Como Jesus alerta, há portas que levam ao roubo, morte e destruição. Jesus se apresenta como a porta que conduz a mistério de Deus e para “vida em abundância”.
Precisamos de “pastores visíveis” que encarnam a mão amorosa do supremo Pastor, agora invisível. A Igreja recebeu de Jesus esta missão de ser “pastor visível” ou “sacramento de salvação”. Por isso, neste domingo denominado do Bom Pastor, toda Igreja é convidada a rezar nesta intenção. A mensagem do Papa Leão XIV, para o 63º Dia Mundial de Oração pelas vocações, pede: “Neste espírito, convido todos – famílias, paróquias, comunidades religiosas, bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas, educadores e fiéis leigos – a empenharem-se cada vez mais em criar ambientes favoráveis para que este dom possa ser acolhido, alimentado, protegido e acompanhado, a fim de dar fruto abundante. Somente se os nossos ambientes brilharem pela fé viva, pela oração constante e pelo acompanhamento fraterno, o apelo de Deus poderá florescer e amadurecer, tornando-se caminho de felicidade e salvação para cada um e para o mundo. Caminhando pela via que Jesus, o Bom Pastor, nos indica, aprendemos então a conhecermo-nos melhor a nós mesmos e a conhecer mais de perto Deus, que nos chamou”.
