Dom Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá (PR)
A liturgia deste 14º. Domingo do Tempo Comum nos ensina onde encontrar Deus. Garante-nos que Deus não Se revela na arrogância, no orgulho, na prepotência, mas sim na simplicidade, na humildade, na pobreza, na pequenez.
A primeira leitura – Zc 9,9-10 – apresenta-nos um enviado de Deus que vem ao encontro dos homens na pobreza, na humildade, na simplicidade; e é dessa forma que elimina os instrumentos de guerra e de morte e instaura a paz definitiva. Que todos rejubilem diante da vinda do Rei Messias: ele traz a paz a todos os povos; em seu cortejo triunfal não há instrumento de guerra; vem montado no jumentinho pacífico e não em cavalo majestoso.
No Evangelho – Mt 11,25-30 –, Jesus louva o Pai porque a proposta de salvação que Deus faz aos homens (e que foi rejeitada pelos “sábios e inteligentes”) encontrou acolhimento no coração dos “pequeninos”. Os “grandes”, instalados no seu orgulho e auto-suficiência, não têm tempo nem disponibilidade para os desafios de Deus; mas os “pequenos”, na sua pobreza e simplicidade, estão sempre disponíveis para acolher a novidade libertadora de Deus. Jesus louva o Pai por este ter concedido aos pequeninos a verdade sobre sua pessoa e missão. Convida todos os que estão cansados e oprimidos a entrar em comunhão com ele e segui-lo, pois é manso e humilde de coração.
Jesus, com uma oração, louva o Pai por revelar “estas coisas”, ou seja, os mistérios do Reino de Deus, aos pequeninos, escondendo-os aos sábios, doutores e entendidos. Sábios, doutores e entendidos eram os especialistas em religião, aqueles que, com base na Lei de Moisés, haviam transformado a relação com Deus num pesado fardo de leis a serem seguidas, atendendo à lógica segundo a qual quem merece é recompensado e quem erra é castigado. Os pequeninos de que Jesus fala, por outro lado, eram aqueles que sofriam o peso de uma religião que aprisiona em vez de aproximar de Deus e libertar.
Jesus veio chamar à única lei do amor misericordioso. “Quero misericórdia e não sacrifício” (Mt, 12, 7). O fardo de Jesus é leve porque ele propõe um novo modo de se relacionar com Deus e com as pessoas, mostrando que seu Deus era diferente daquele dos sábios e doutores do seu tempo.
Os pequeninos, cansados da religião da opressão e do castigo, que dividia as pessoas em puras e malditas, reconhecem em Jesus o enviado por Deus para ensinar sobre mansidão e humildade de coração, para convidar a relações solidárias que constroem a fraternidade.
Na segunda leitura – Rm 8,9.11-13 –, São Paulo convida os crentes – comprometidos com Jesus desde o dia do Batismo – a viverem “segundo o Espírito” e não “segundo a carne”. A vida “segundo a carne” é a vida daqueles que se instalam no egoísmo, orgulho e auto-suficiência; a vida “segundo o Espírito” é a vida daqueles que aceitam acolher as propostas de Deus. A novidade da vida cristã está fundamentada sobre a força do Espírito que habita a pessoa e foi recebido pelo batismo. Quem recebe o Espírito de Deus se torna nova criatura e não age de forma egoísta.
Ao nos aproximarmos de Cristo, somos chamados a aprender com sua humildade e sua confiança em Deus, descobrindo que a verdadeira força está no serviço, na misericórdia e na fidelidade à aliança divina, acolhendo a vida com serenidade e esperança. O poder de Deus se manifesta na justiça, na paz e no cuidado com os mais frágeis, convidando-nos a acolher com fé e alegria a novidade do Reino.
Neste domingo, aprendamos com grande alegria, a mansidão e a humildade. A mansidão e a humildade não é resignar-se ao sofrimento, mas compreender a dor do mundo como a dor do próprio Deus.
