Papa Leão XIV: Pálios expressam compromisso dos pastores em “tomar sobre os próprios ombros os irmãos e irmãs”

O Papa Leão XIV presidiu, na manhã desta segunda-feira, na Basílica de São Pedro, em Roma, a Solenidade de São Pedro e São Paulo. Na ocasião, ele entregou e fez a imposição do Pálio Arquiepiscopal a 35 arcebispos de todo o mundo, sendo quatro brasileiros. Em sua homilia, o pontífice destacou o espírito expresso na entrega desse ornamento litúrgico: tomar sobre os próprios ombros os irmãos e irmãs.

“Estas faixas de lã branca, embelezadas com cruzes, expressam, na verdade, o compromisso de cada Pastor – mas também de cada cristão – de tomar sobre os próprios ombros os irmãos e irmãs que lhe são confiados, como outros tantos cordeiros do rebanho do Senhor, e de sacrificar por eles forças, tempo, canseiras e até mesmo a vida, para que o Evangelho chegue a todos e o mundo inteiro encontre nele harmonia e concórdia”, disse o pontífice.

Um dos arcebispos brasileiros que recebeu o Pálio foi dom Mário Antônio da Silva, da arquidiocese de Aparecida (SP). Após a celebração, ele gravou um vídeo no qual destaca a relação do símbolo com sua missão junto com os bispos da Província Eclesiástica de Aparecida, “de sermos a imagem do Bom Pastor, em comunhão e união entre nós e com o Papa Leão e com toda a nossa Igreja”.

 

Construtores de unidade

Ao olhar para os dois santos, o Papa indicou a oportunidade de compreender como os bispos podem ser “apóstolos e construtores de unidade, servos generosos da verdade na caridade”.

Pedro, guardião do Povo de Deus, aparece muitas vezes no Novo Testamento empenhado em conservar a comunhão entre os irmãos. Esta grandeza de espírito, observou o Papa, não significa que Pedro seja perfeito. Durante a Paixão, nega o Mestre, para depois chorar lágrimas sinceras de arrependimento. Porém, sabe reconhecer os seus erros e arrepender-se.

Esta solicitude fiel e paciente pela unidade está representada no símbolo das chaves, com o qual é identificado. Com efeito, uma chave não derruba portas, mas abre e fecha-as de acordo com a situação. Da mesma forma, comparou o Papa, “a comunhão na Igreja não se constrói endurecendo nas próprias posições, mas procurando, no coração de todos, os pontos de encontro na Verdade, à luz da qual cada um se torna, para o outro, instrumento de crescimento”.

Assim, o exemplo de Pedro é também um convite a cada cristão se tornar construtor de unidade, colocando Deus no centro da sua existência. Este é também o ensinamento de Paulo, que o Santo Padre definiu como “incansável anunciador da Boa Nova”. Os seus símbolos distintivos são o livro e a espada, estreitamente unidos entre si. O Apóstolo dos gentios deixou-se transformar pelo poder da Palavra de Deus, que o tirou à violência para o conduzir pelo caminho do amor.

 

Além de dom Mário Antônio, dom Júlio Endi Akamine, arcebispo de Belém do Pará (PA); dom José Roberto Fortes Palau, arcebispo de Sorocaba (SP); e dom Marco Aurélio Gubiotti, arcebispo de Juiz de Fora (MG), receberam o Pálio.

 

 

Luiz Lopes Jr | Com informações e fotos de Vatican News

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