Por ocasião do Consistório extraordinário, Leão XIV celebrou a Santa Missa com os cerca de 170 participantes

O segundo e último dia do Consistório extraordinário em andamento no Vaticano começou com a Missa presidida pelo Papa Leão XIV no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro.

O Pontífice foi buscar na raiz da palavra Consistorium, “assembleia”, a inspiração para a sua homiliaO verboconsistere pode ser interpretado como “parar”: “Efetivamente, todos nós ‘paramos’ para estar aqui: interrompemos por algum tempo as nossas atividades e renunciamos a compromissos importantes, para nos reunirmos e discernirmos o que o Senhor nos pede para o bem do seu Povo”.

Para o Santo Padre, trata-se de um gesto muito significativo, profético, especialmente no contexto da sociedade frenética em que vivemos. É preciso parar para rezar, ouvir, refletir e, assim, voltar a focar cada vez melhor a meta.

“Na verdade, não estamos aqui para promover ‘agendas’ – pessoais ou de grupo –, mas para confiar os nossos projetos e inspirações ao juízo de um discernimento que nos ultrapassa ‘tanto quanto os céus estão acima da terra’ e que só pode vir do Senhor.”

Nesta Eucaristia, é importante colocar sobre o Altar todos os desejos e pensamentos, oferecendo-os ao Pai em união com o Sacrifício de Cristo: “O nosso Colégio, embora rico de tantas competências e dotes notáveis, na verdade, não é chamado a ser, em primeiro lugar, uma equipe de especialistas, mas uma comunidade de fé, na qual os dons que cada um traz, oferecidos ao Senhor e por Ele restituídos, produzam, segundo a sua Providência, o máximo fruto”.

O papel dos cardeais diante da humanidade faminta de paz

Leão XIV prosseguiu afirmando que assim deve ser vivido este Consistório, como um grande ato de amor a Deus, à Igreja e aos homens e mulheres de todo o mundo, para se deixar moldar pelo Espírito. Primeiro, na oração e no silêncio, mas também olhando-se nos olhos, ouvindo-se reciprocamente e dando voz, através da partilha, a todos aqueles que o Senhor confiou, nas mais diversas partes do mundo, aos cuidados dos Pastores.

Na variedade das proveniências e idades, os cardeais hoje se encontram diante da “grande multidão” de uma humanidade faminta de bem e de paz, num mundo em que a saciedade e a fome, a abundância e a miséria, a luta pela sobrevivência e o desesperado vazio existencial continuam a dividir e a ferir as pessoas, as nações e as comunidades. Corre-se o risco de se sentir incapaz e desprovido de meios e nem sempre, afirmou o Santo Padre, consegue-se encontrar soluções imediatas para os problemas a enfrentar.

Todavia, em qualquer lugar e circunstância, acrescentou, sempre é possível ajudar-se mutuamente – e, em particular, ajudar o Papa – a encontrar os ‘cinco pães e dois peixes’ que a Providência nunca deixa faltar ali onde os seus filhos imploram ajuda; e acolhê-los, entregá-los, recebê-los e distribuí-los de modo que a ninguém falte o necessário.

Dirigindo-se aos cardeais, Leão XIV afirmou que o que oferecem à Igreja é algo grandioso e a responsabilidade que partilham com o Sucessor de Pedro é grave e pesada: “Por isso, agradeço-lhes de coração”.

No primeiro dia de trabalhos, o Colégio Cardinalício escolheu a sinodalidade e a missão como principais temas a refletir neste Consistório.

Assista a Santa Missa:

 

Por Bianca Fraccalvieri  | Vatican News | Foto de capa: Vatican Media

Tags: