Projeto apoiado pelo Fundo Nacional de Solidariedade fortalece mobilização em defesa dos rios Araguaia-Tocantins no Pará 

Em sintonia com a temática da Ecologia Integral proposta pela Campanha da Fraternidade 2025, um dos projetos apoiados pelo Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) tem promovido formação, conscientização e mobilização social na diocese de Cametá (PA), em defesa dos rios Araguaia-Tocantins e das comunidades ribeirinhas.

Intitulado “Hidrovia Araguaia-Tocantins: Um Projeto de Morte”, o projeto foi desenvolvido pela Paróquia São José das Ilhas, sob a coordenação do padre Javé de Oliveira Silva. 

Padre Javé de Oliveira Silva, coordenador do projeto apoiado pelo FNS | Crédito: Fiama Tonhá

Segundo o sacerdote, a iniciativa nasceu da preocupação com os possíveis impactos socioambientais da implantação da hidrovia, que prevê intervenções estruturais no leito do rio para viabilizar o transporte de cargas. 

“O nosso primeiro propósito era conscientizar o povo sobre os impactos que a hidrovia pode causar, caso venha a acontecer. Vimos no Fundo Nacional de Solidariedade um parceiro importante para transformar essa preocupação em ações concretas”, explica o padre. 

A equipe tomou conhecimento do edital por meio da divulgação no site e dos materiais impressos disponibilizados pela Conferência. A partir disso, elaborou o projeto e realizou o cadastro no portal do Fundo, enxergando na iniciativa uma oportunidade de fortalecer as ações pastorais e socioambientais já desenvolvidas no território. 

Formação e mobilização nas comunidades 

Com os recursos recebidos, a paróquia promoveu uma série de atividades formativas e missionárias ao longo de 2025. 

Entre os principais momentos esteve o Retiro Missionário e o I Encontro das Águas, realizado nos dias 5 e 6 de setembro, na comunidade Nossa Senhora do Carmo, no Rio Cuxipiari Carmo. O encontro reuniu representantes de 50 comunidades e dois grupos de evangelização, somando aproximadamente 178 participantes. 

Durante a programação, foram realizadas rodas de conversa com especialistas, lideranças religiosas e representantes das comunidades. Os debates abordaram os impactos ambientais, sociais, econômicos e culturais da hidrovia, bem como os direitos das populações ribeirinhas.  O encontro resultou na elaboração de uma Carta Aberta às autoridades e à opinião pública, reafirmando o compromisso com a defesa dos povos das águas e do ecossistema amazônico. 

Ao longo do mês de setembro, todas as comunidades da paróquia também realizaram Círculos Bíblicos nas famílias, com quatro encontros voltados à reflexão sobre a preservação dos rios, os impactos da hidrovia e a proposta da Ecologia Integral. Os encontros serviram de preparação para o mês missionário e fortaleceram a dimensão espiritual do cuidado com a Casa Comum. 

Círculo Bíblico nas Famílias

Educação ambiental e missão porta a porta 

Em outubro, as equipes missionárias realizaram visitas às escolas de todo o território paroquial. As atividades incluíram músicas, apresentações teatrais, cartazes e dinâmicas educativas, envolvendo crianças e adolescentes na reflexão sobre a preservação ambiental e os impactos do projeto da hidrovia . 

Visita na Escola E.M.E.I.F | Foto: Jadielson de Souza Moraes

No mesmo período, ocorreram também as visitas porta a porta, conduzidas pelo Conselho Comunitário, pela Pastoral da Juventude e pela Infância e Adolescência Missionária. Os missionários percorreram as comunidades sem distinção de religião ou credo, dialogando com as famílias e distribuindo materiais informativos sobre a importância da preservação do rio Tocantins.

Para o padre Javé, o projeto alcançou plenamente seus objetivos:


“Hoje, o nosso povo não apenas está consciente, mas também mobilizado na defesa do rio. A população percebe que o projeto não é esse ‘mar de rosas’ que muitas vezes é apresentado e está abraçando a causa”, afirma.

Comunidade Jaituba

Desdobramentos e articulação regional 

Como desdobramento das ações, foi realizado também, em dezembro, o I Seminário Integrado da Amazônia Tocantina, reunindo pesquisadores da UFPA e da UEPA, movimentos sociais e lideranças religiosas. O seminário aprofundou o debate técnico e científico sobre os impactos da hidrovia e reforçou a articulação entre Igreja, comunidade acadêmica e movimentos sociais. 

A mobilização local também ganhou repercussão nacional. Após a divulgação das ações nas redes sociais, o padre Javé foi convidado a participar no Palácio do Planalto, em Brasília, de agendas com grupos que atuam na defesa dos rios amazônicos. 

Segundo ele, a mobilização já obteve resultados importantes, como a revogação do Decreto 12.600, que previa a privatização de trechos dos rios Tocantins, Madeira e Tapajós. Ainda assim, o grupo segue acompanhando outras iniciativas relacionadas à implantação da hidrovia. 

Incentivo a outras dioceses 

Padre Javé e Franklin Queiroz, coordenador do Departamento Social da CNBB | Crédito: Fiama Tonhá

O coordenador do projeto destaca que o apoio do Fundo foi essencial para estruturar as ações formativas e ampliar o alcance da mobilização. 

“Muitas vezes não sabemos a quem recorrer para desenvolver material ou promover encontros. O Fundo Nacional de Solidariedade é esse grande parceiro da Igreja no Brasil”, ressalta padre Javé. 

Ele também incentiva outras dioceses a participarem dos editais:

“É fundamental que as dioceses procurem esse apoio, não apenas para projetos já em andamento, mas para iniciativas que respondam aos desafios de cada território. No fim, quem é contemplada é a população.” 

A experiência da Paróquia São José das Ilhas evidencia como a articulação entre fé, organização comunitária e cuidado com a Casa Comum pode gerar impactos concretos, fortalecendo a consciência socioambiental e a defesa da vida nos territórios amazônicos. 

 

Saiba mais

Acesse o site do Fundo Nacional de Solidariedade

Acesse o site de Campanhas da CNBB

 

 

Por Larissa Carvalho

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