No início da noite desta sexta-feira, 17 de abril, o Santuário Nacional de Aparecida acolheu o episcopado brasileiro reunido na 62ª Assembleia Geral da CNBB para a Celebração da Eucaristia com Vésperas. A liturgia foi presidida por dom Leomar Antônio Brustolin, arcebispo da arquidiocese de Santa Maria (RS) e presidente da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-catequética. Dom Leomar é o coordenador do tema central da Assembleia (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil) que também foi colocado no altar do Senhor na Eucaristia.
Na homilia, dom Leomar destacou a centralidade de Cristo Ressuscitado como fundamento da vida e da missão da
Igreja, relacionando sua reflexão aos cinco caminhos propostos pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
“À luz do Evangelho, podemos reconhecer os cinco caminhos das Diretrizes como prolongamentos deste gesto de Jesus: a centralidade da Palavra é Cristo Ressuscitado, que fala e alimenta pela Sua Palavra”, afirmou. O prelado também ressaltou a importância da Iniciação à Vida Cristã como um processo contínuo: “a Iniciação à Vida Cristã é sentar-se na relva e aprender a receber o Pão da Vida”, disse.
O arcebispo evidenciou ainda o chamado à vida comunitária e missionária, lembrando que a Igreja é formada por discípulos enviados a testemunhar a fé. “As comunidades de discípulos missionários são a multidão reunida, não dispersa”, disse. Sobre a liturgia e a piedade popular, afirmou que “é o gesto de dar graças e repartir”, apontando para o sentido profundo da Celebração Eucarística. Já o serviço à vida plena foi descrito como expressão concreta do Reino: “é a saciedade de todos, sem exclusão”, afirmou.
Desafios do tempo presente: conflitos e fragilidades humanas
Em sua reflexão, dom Leomar também recordou os desafios do tempo presente, marcado por conflitos e fragilidades humanas. “Somos chamados a oferecer, especialmente em tempos de guerras, desigualdades e desafios, a dignidade da vida humana, a cultura da paz e a justiça do Reino. No meio das perseguições, das insuficiências e das multidões famintas, há um desejo que sustenta a todos nós: ‘permanece conosco, Senhor’”, sublinhou.
Por fim, dom Leomar reforçou que a missão da Igreja nasce da contemplação e da experiência com Cristo. “A Igreja não vive da ansiedade dos resultados, mas da contemplação. Sem vida interior, a missão se torna ativismo; com ela, não se torna fecunda”, afirmou. Inspirando-se em São Paulo, concluiu: “somos como fabricantes de tendas, somos chamados a construir comunidades vivas, onde o Ressuscitado nos reuniu e continua a habitar. Uma Igreja que se deixa partir como o pão na Eucaristia, jamais se esgota na missão, porque já vive, no tempo e na história, a plenitude do Reino. Uma Igreja que escuta, discerne e caminha junto; uma Igreja pobre, mas que alimenta cada um de nós; uma Igreja que se alimenta da Eucaristia”, afirmou.
Antes de finalizar a homilia, dom Brustolin, confiou a Igreja, mais uma vez, à Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. “Maria, que recolheu no silêncio os fragmentos da história e os guardou no coração, ensine-nos a fazer da Igreja uma mesa aberta, uma tenda alargada, um pão repartido”, suplicou.

