Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)
Quanto mais simples, mais misterioso. Assim é Deus, pois, de tão simples, se torna mistério incompatível com a capacidade cognitiva da pessoa humana. Ele se deixa conhecer nas diversas formas de atuação da criação, principalmente do ser humano. Isto está bem visível na vida das pessoas mais sofridas e sem expressão de popularidade, escondidas no mundo dos sem vez e sem voz.
O mundo da violência e guerras inconsequentes, daquelas que tiram a paz, não conhece a lógica e a força da simplicidade, do respeito e do diálogo. O que falta mesmo é perceber a mensagem da paz, revelada na Palavra de Deus, que acolhe o coração dos simples e abate, mais cedo ou mais tarde, a intransigência dos poderosos e envaidecidos pelo poder de força e de destruição que têm.
Na visão do apóstolo Paulo, muitas pessoas vivem segundo a carne e não segundo o Espírito (cf. Rm 8,5). Com isto, não conseguem entender as surpresas de Deus nos fatos ligados à vida. Sem ater-se a essas divinas e inspiradas referências, a dignidade da pessoa humana é colocada em risco e, em última instância, a morte. É isto que estamos presenciando, cotidianamente, no mundo.
Usaram todo tipo de artimanha e violência contra Jesus. Ele, sendo Deus, tinha toda força de poder para vingar. Mas, seu poder estava na humildade, na capacidade de diálogo e na misericórdia, naquilo que falta ser colocado em prática em nosso tempo. Vemos o Brasil totalmente mergulhado em atitudes desonestas, revelando um poder corroído, sem humildade, humanidade e irresponsável.
A política tornou-se instrumento de corrupção. É pena que isto esteja acontecendo, porque é campo de fazer justiça, através de uma boa administração. Creio que as Eleições sejam espaço próprio para se eliminar, de vez, os falsos políticos. Cada eleitor deve votar com mais responsabilidade, porque isto traz consequências sérias na vida. Políticos, em vez da simplicidade e do serviço, exploram.
No cenário nacional, é bem percebível, que há uma imagem distorcida sobre Deus. Aliás, usam muito “o nome de Deus em vão”, principalmente quando ele é invocado em vista de poder, do dinheiro e da prosperidade simplesmente material. São práticas que eliminam o Deus verdadeiro e a simplicidade, que é rica de poder, desaparece. Quando nos despimos do poder, damos lugar para Deus agir.
