Durante a Coletiva de Imprensa realizada nesta segunda-feira, 20 de abril, no contexto da 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no Santuário Nacional, em Aparecida (SP), foram apresentados temas relacionados aos trabalhos litúrgicos em andamento no episcopado brasileiro, especialmente no que se refere às aprovações e os resultados das atividades desenvolvidas pela Comissão de Textos Litúrgicos (CETEL).
Participaram da coletiva dom Hernaldo Pinto Farias, bispo da Diocese de Bonfim (BA) e presidente da Comissão Episcopal para a Liturgia, e dom José Belisário, arcebispo emérito da Arquidiocese de São Luís do Maranhão e membro da CETEL.

Na oportunidade, dom Hernaldo explicou o processo de elaboração e aprovação dos textos litúrgicos na Igreja, destacando seu caráter coletivo e criterioso. “Trata-se de um caminho que envolve muitas mãos, desde a tradução inicial até a revisão pelas comissões e a apreciação de todo o episcopado”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que esse trabalho exige fidelidade ao texto original e sensibilidade pastoral: “Às vezes, passamos uma manhã inteira para decidir a tradução de uma palavra, buscando ser fiéis ao texto latino e, ao mesmo tempo, garantir que ele seja compreensível para o povo”, disse.
Entre os materiais que serão submetidos à aprovação da Assembleia está o formulário da Missa pelo Cuidado da Criação, já encaminhado pelo Dicastério para o Culto Divino. Segundo o bispo, o texto foi revisado no Brasil e poderá ser utilizado ao longo do ano litúrgico, respeitando as normas próprias. “É um formulário que poderá ser usado em diversos momentos do ano, desde que não coincida com celebrações obrigatórias”, explicou. Ele destacou ainda que a proposta está em sintonia com a preocupação da Igreja com o cuidado da criação. “É um convite para que toda a Igreja reze e se comprometa com essa realidade tão urgente”, disse.
Também será apresentada a revisão da data da memória facultativa de Carlo Acutis, atualmente celebrada em 12 de outubro, coincidindo com a solenidade de Nossa Senhora Aparecida. A proposta é indicar novas datas para apreciação dos bispos. Além disso, será entregue um texto de reflexão sobre liturgia, com foco na relação entre liturgia e eclesiologia. “Como celebramos revela o modo de ser Igreja que vivemos”, sintetizou Dom Hernaldo.
A importância da memória dos Santos
Ao abordar essas temáticas, dom José Belisário destacou a importância histórica e espiritual da memória dos santos na vida da Igreja. “Desde o início, a memória dos santos e santas tem um valor muito grande. Tanto assim que conservamos até hoje o costume de ter relíquias nos altares”, recordou. Nesse sentido, ressaltou o valor da memória de Santa Teresa de Calcutá, descrita por ele como uma figura profundamente mística e, ao mesmo tempo, comprometida com as obras de misericórdia, especialmente junto aos mais vulneráveis.
Já em relação a Carlo Acutis, dom Belisário destacou sua proximidade com a juventude contemporânea: “É um jovem do nosso tempo, que viveu intensamente a fé no ambiente digital. Isso fala muito às novas gerações e à realidade da comunicação hoje”. Ele acrescentou que a proposta da memória facultativa pode incentivar um caminho mais profundo nesse campo: “Esperamos que seja acolhida pelas comunidades e que se torne fonte de inspiração para a Igreja”, disse.
O arcebispo emérito também chamou atenção para os desafios da evangelização no ambiente digital. “A comunicação ultrapassa os limites territoriais da Igreja, e isso traz questões que ainda precisamos aprofundar melhor”, afirmou. Segundo ele, trata-se de um campo em construção: “Ainda não temos um aprofundamento suficiente, mas certamente precisaremos voltar mais a esse tema nas próximas assembleias”.
Ao final, dom Belisário reforçou a atualidade da mensagem cristã: “A mensagem evangélica é sempre viva e atual, e nos impulsiona a sermos pessoas e instituições melhores, a serviço do mundo e das pessoas”. A coletiva foi encerrada com agradecimentos à imprensa e um convite para que o povo acompanhe e reze pelos trabalhos da Assembleia.
Todos estes assuntos apresentados na segunda sessão da manhã deste mesmo dia (20) foram aprovados pelo episcopado brasileiro, conforme sugestão da Comissão Episcopal para a Liturgia.

