Conselho Permanente: análise de conjuntura eclesial aborda o acolhimento de adultos na Igreja Católica

Em 2026, a Igreja Católica no Brasil acolheu 35.606 adultos nos sacramentos da iniciação cristã, especialmente o Batismo e a Crisma. Os dados são da pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz) a pedido do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) com resultados e análises apresentados na manhã desta terça-feira, durante reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A pesquisa partiu do fato da crescente presença de adultos nos processos catequéticos pelo país e do grande número de adultos que celebraram os sacramentos da iniciação cristã na Vigília Pascal deste ano, conforme partilhado pelos bispos durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, em abril.

O bispo de Petrópolis (RJ) e presidente do Inapaz, dom Joel Portella Amado, destacou a avaliação dos Regionais da CNBB de que em 90% deles foi reconhecida a chegada de adultos nos sacramentos de iniciação à vida cristã.

Assim, foram conhecidas 10 experiências concretas para compreender as características dos adultos que atualmente chegam às comunidades católicas, bem como o funcionamento do processo de catequese e os resultados dessas experiências. Essa investigação contou com indicações da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética e abrangeu três regiões do país.

Tudo isso foi feito à luz da aplicação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) e do Sínodo sobre a Sinodalidade.

Conselho Permanente, junho de 2026 | Fiama Tonhá/CNBB

 

O que a pesquisa buscou perceber

Foram três pontos investigados: as pessoas, a catequese e os resultados.

Sobre as pessoas, perguntaram sobre o tempo que a experiência de catequese com adultos acontece; a quantidade de participantes, e quantos são homens e quantos são mulheres; a origem religiosa; como chegam à catequese; os motivos que os levaram a procurar o sacramento; e quais as experiências que carregam.

A respeito da catequese em si, foi investigada a periodicidade dos encontros, os serviços e ministérios da Igreja envolvidos no processo; como se dá o acompanhamento dos padres e diáconos; o material utilizado; e a relação com a liturgia e a piedade popular.

Por fim, sobre o que resulta da catequese com adultos, a análise tratou da participação na vida da comunidade; do compromisso com a vida plena; dos maiores desafios encontrados; e das sugestões que os processos tem a dar.

 

Resultados

Dom Joel apresentou os resultados observados pela equipe do Inapaz:

  • De onde vêm esses adultos:
    São batizados afastados, adultos não suficientemente evangelizados, pessoas sem religião definida, advindos do horizonte evangélico, com problemas existenciais complexos e com questões sociais e econômicas desafiadoras.
  • Por onde chegam
    Essas pessoas chegam aos processos catequéticos por meio de inscrições abertas nas paróquias; após ouvirem avisos nas missas; após receberem visitas missionárias; a partir da motivação de influenciadores digitais católicos; ou motivadas por convites e testemunhos.
  • Como chegam
    De maioria feminina, é um público que apresenta feridas por situações materiais e existenciais, advindas de outras religiões com rupturas, recasados e pessoas LGBTQIAPN+.

 

As percepções

Dom Joel Amado seguiu com as percepções, nas quais também aparecem alguns pontos de reflexão para a Igreja. O número de adultos nos processos de iniciação cristã está aumentando, mas há a dúvida se isso é um reflexo da opção dos pais por não batizar as crianças na infância. O que é fato, segundo o bispo, é a “crise geracional na transmissão da fé, na qual os pais não conseguiram introduzi-los e a geração atual começa a busca por outros caminhos”.

“É uma busca que se encaixa nesse momento religioso de pluralismo e de mobilidade religiosos. […] Cada vez mais declina a transmissão automática ou cultural da fé. A fé deixa de ser uma questão cultural para ser uma questão de escolha”, explicou.

Nesse contexto, a experiencia humana é mais valorizada. Não se observa a experiencia da aceitação ou da incorporação, mas a da conversão. Se passa da fé absorvida para uma fé escolhida, de Igreja de herança para Igreja de escolha.

“Começa a emergir um novo sujeito evangelizador com uma forma que antes não tinha. A pessoa que viveu uma experiência relevante e significativa se torna motivadora e chama outras pessoas a participar. É o discipulado missionário se consolidando por meio dos processos catequéticos”.

Há também mudanças de paradigma na transmissão da fé: da dinâmica de escola para a família/comunidade; de um perfil doutrinário para um perfil querigmático; do adulto como receptor para o adulto como interlocutor de um processo; de um único agente evangelizador para uma rede (sinodal) de evangelizadores em uma comunidade catequizadora.

Essa realidade também apresenta desafios, como a mentalidade doutrinária; a perspectiva de avaliação a partir dos dados de concluintes dos sacramentos, considerando apenas os números; a carência de materiais específicos para o trabalho com adultos; a insuficiência no acolhimento  de situações complexas; a falta de acompanhamento pós-sacramentos; e a dificuldade de as pessoas permanecerem nas comunidades.

 

Luiz Lopes Jr.

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